Tuesday, February 17, 2026

Secretário de Estado Marco Rubio na Conferência de Segurança de Munique

Department of State United States of America

Tradução cortesia do Departamento de Estado dos Estados Unidos



PRONUNCIAMENTO

MARCO RUBIO, SECRETÁRIO DE ESTADO

HOTEL BAYERISCHER HOF

MUNIQUE, ALEMANHA 

SECRETÁRIO RUBIO: Muito obrigado. Estamos reunidos aqui hoje como membros de uma aliança histórica, uma aliança que salvou e transformou o mundo. Quando esta conferência começou em 1963, ela ocorreu em uma nação – na verdade, em um continente – que estava dividido internamente. A linha divisória entre o comunismo e a liberdade atravessava o coração da Alemanha. As primeiras cercas de arame farpado do Muro de Berlim haviam sido erguidas apenas dois anos antes. 

E apenas alguns meses antes daquela primeira conferência, antes que nossos predecessores se reunissem aqui pela primeira vez, em Munique, a Crise dos Mísseis de Cuba havia levado o mundo à beira da destruição nuclear. Mesmo enquanto a Segunda Guerra Mundial ainda viva na memória de americanos e europeus, nos vimos diante de uma nova catástrofe global – uma com potencial para um novo tipo de destruição, mais apocalíptica e definitiva do que qualquer outra antes na história da humanidade.  

Na época daquele primeiro encontro, o comunismo soviético estava em expansão. Milhares de anos da civilização ocidental estavam em jogo. Naquele momento, a vitória estava longe de ser certa. Mas éramos movidos por um propósito comum. Estávamos unidos não apenas por aquilo contra o que combatíamos, mas também por aquilo que defendíamos. E juntos, a Europa e a América prevaleceram e um continente foi reconstruído. Nossos povos prosperaram. Com o tempo, os blocos do Leste e do Oeste se reuniram. Uma civilização tornou-se novamente inteira.  

Aquele infame muro que havia dividido esta nação em duas partes caiu, e com ele um império maligno, e o Oriente e o Ocidente se tornaram um só novamente. Mas a euforia desse triunfo nos levou a uma ilusão perigosa: a de que havíamos entrado, entre aspas, "no fim da história"; que todas as nações seriam agora democracias liberais; que os laços formados pelo comércio e pelas trocas comerciais, por si só, substituiriam a nacionalidade; que a ordem global baseada em regras – um termo banalizado – substituiria o interesse nacional; e que passaríamos a viver agora em um mundo sem fronteiras, no qual todos se tornariam cidadãos do mundo.  

Essa foi uma ideia insensata que ignorou tanto a natureza humana quanto as lições de mais de 5 mil anos de história humana registrada. E isso nos custou caro. Nessa ilusão, abraçamos uma visão dogmática de comércio livre e irrestrito, mesmo enquanto algumas nações protegiam suas economias e subsidiavam suas empresas para prejudicar sistematicamente as nossas – fechando nossas fábricas, resultando na desindustrialização de grande parte de nossas sociedades, na transferência de milhões de empregos da classe trabalhadora e da classe média para o exterior e na entrega do controle de nossas cadeias de suprimentos essenciais tanto a adversários quanto a rivais. 

Cada vez mais, terceirizamos nossa soberania para instituições internacionais, enquanto muitas nações investiam em enormes estados de bem-estar social, em detrimento de manter a capacidade de se defender. Isso enquanto outros países investiram na mais rápida expansão militar de toda a história da humanidade e não hesitaram em usar a força para perseguir seus próprios interesses. Para apaziguar um culto climático, impusemos a nós mesmos políticas energéticas que estão empobrecendo nosso povo, enquanto nossos concorrentes exploram petróleo, carvão, gás natural e tudo o mais – não apenas para impulsionar suas economias, mas também para usá-las como forma de pressionar a nossa. 

E na busca por um mundo sem fronteiras, abrimos nossas portas a uma onda sem precedentes de migração em massa que ameaça a coesão de nossas sociedades, a continuidade de nossa cultura e o futuro de nosso povo. Cometemos esses erros juntos e, agora, juntos, devemos ao nosso povo encarar esses fatos e seguir em frente, para reconstruir. 

Sob a liderança do presidente Trump, os Estados Unidos da América assumirão mais uma vez a tarefa de renovação e restauração, impulsionados por uma visão de um futuro tão orgulhosa, soberana e vital quanto o passado de nossa civilização. E embora estejamos preparados, se necessário, para fazer isso sozinhos, é nossa preferência e nossa esperança fazê-lo em conjunto com vocês, nossos amigos aqui na Europa. 

Para os Estados Unidos e a Europa, pertencemos uns aos outros. Os Estados Unidos foram fundados há 250 anos, mas suas raízes começaram aqui, neste continente, muito antes. O homem que colonizou e construiu a nação onde nasci chegou em nosso território trazendo consigo as memórias, as tradições e a fé cristã de seus antepassados como uma herança sagrada, um elo indissolúvel entre o velho mundo e o novo. 

Fazemos parte de uma única civilização – a civilização ocidental. Estamos unidos pelos laços mais profundos que as nações podem compartilhar, forjados por séculos de história comum, fé cristã, cultura, herança, idioma, ancestralidade e pelos sacrifícios que nossos antepassados fizeram juntos pela civilização comum da qual somos herdeiros. 

E é por isso que nós, americanos, às vezes podemos parecer um pouco diretos e insistentes em nossos conselhos. É por isso que o presidente Trump exige seriedade e reciprocidade de nossos amigos aqui na Europa. A razão, meus amigos, é porque nos importamos profundamente. Nós nos importamos profundamente com o futuro de vocês e com o nosso. E se, por vezes, discordamos, nossas discordâncias decorrem de nossa profunda preocupação com uma Europa com a qual estamos conectados – não apenas economicamente, não apenas militarmente. Estamos conectados espiritual e culturalmente. Desejamos que a Europa seja forte. Acreditamos que a Europa deve sobreviver, porque as duas grandes guerras do século passado servem para nós como um lembrete constante da história de que, em última análise, nosso destino está e sempre estará entrelaçado com o de vocês, porque sabemos – (aplausos) – porque sabemos que o destino da Europa jamais será irrelevante para o nosso. 

Segurança nacional, tema central desta conferência, não se resume a uma série de questões técnicas – quanto gastamos em defesa ou onde, como a utilizamos, são questões importantes. Sem dúvida. Mas não são a questão fundamental. A questão fundamental que devemos responder desde o início é: o que exatamente estamos defendendo? Porque os exércitos não lutam por abstrações. Os exércitos lutam por um povo; lutam por uma nação. Exércitos lutam por um modo de vida. E é isso que estamos defendendo: uma grande civilização que tem todos os motivos para se orgulhar de sua história, estar confiante em seu futuro e almejar sempre ser dona de seu próprio destino econômico e político.  

Foi aqui na Europa que nasceram as ideias que plantaram as sementes da liberdade que transformaram o mundo. Foi aqui, na Europa, que surgiram as ideias que deram ao mundo o Estado de Direito, as universidades e a revolução científica. Foi este continente que produziu o gênio de Mozart e Beethoven, de Dante e Shakespeare, de Michelangelo e Da Vinci, dos Beatles e dos Rolling Stones. E é aqui que a abóboda da Capela Sistina e as torres imponentes da grande catedral de Colônia testemunham não apenas a grandeza de nosso passado ou a fé em Deus que inspirou essas maravilhas. Eles prenunciam as maravilhas que nos aguardam no futuro. Mas somente se não nos desculparmos pela nossa herança e nos orgulharmos dessa herança comum, poderemos juntos começar o trabalho de imaginar e moldar nosso futuro econômico e político. 

A desindustrialização não foi inevitável. Foi uma escolha política consciente, um empreendimento econômico de décadas que privou nossas nações de sua riqueza, de sua capacidade produtiva e de sua independência. E a perda de nossa soberania sobre nossas cadeias de suprimentos não foi consequência de um sistema de comércio global próspero e saudável. Foi insensata. Foi uma transformação insensata, porém voluntária, de nossa economia, que nos deixou dependentes de outros para suprir nossas necessidades e perigosamente vulneráveis a crises. 

A migração em massa não é, nunca foi, nem é uma preocupação marginal de pouca importância. Foi e continua sendo uma crise que está transformando e desestabilizando sociedades em todo o Ocidente. Juntos, podemos reindustrializar nossas economias e reconstruir nossa capacidade de defender nosso povo. Mas o trabalho dessa nova aliança não deve se concentrar apenas na cooperação militar e na recuperação das indústrias do passado. Deve também se concentrar em, juntos, promover nossos interesses mútuos e novas fronteiras, libertando nossa engenhosidade, nossa criatividade e o espírito dinâmico para construir um novo século para o Ocidente. Viagens espaciais comerciais e inteligência artificial de ponta; automação industrial e manufatura flexível; criação de uma cadeia de suprimentos ocidental para minerais críticos que não seja vulnerável à extorsão de outras potências; e um esforço unificado para competir por participação de mercado nas economias do Sul Global. Juntos, podemos não apenas retomar o controle de nossas próprias indústrias e cadeias de suprimentos, como também prosperar nas áreas que definirão o século 21. 

Mas também precisamos retomar o controle de nossas fronteiras nacionais. Controlar quem e quantas pessoas entram em nossos países não é uma expressão de xenofobia. Não é ódio. É um ato fundamental de soberania nacional. E deixar de fazê-lo não é apenas uma abdicação de um dos nossos deveres mais básicos para com o nosso povo. É uma ameaça urgente ao tecido de nossas sociedades e à própria sobrevivência de nossa civilização. 

E, finalmente, não podemos mais colocar a chamada ordem global acima dos interesses vitais de nossos povos e nações. Não precisamos abandonar o sistema de cooperação internacional que criamos, nem precisamos desmantelar as instituições globais da antiga ordem que construímos juntos. Mas elas precisam ser reformadas. Precisam ser reconstruídas. 

Por exemplo, as Nações Unidas ainda têm um enorme potencial para ser uma ferramenta para o bem no mundo. Mas não podemos ignorar que hoje, nas questões mais prementes que enfrentamos, não têm respostas e praticamente não desempenham nenhum papel. Não conseguiram resolver a guerra em Gaza. Em vez disso, foi a liderança americana que libertou prisioneiros de bárbaros e estabeleceu uma trégua frágil. Não resolveram a guerra na Ucrânia. Foram necessárias a liderança americana e a parceria com muitos dos países aqui presentes para levar os dois lados à mesa de negociações em busca de uma paz ainda difícil de alcançar.  

Os EUA foram impotentes para conter o programa nuclear de clérigos xiitas radicais em Teerã. Isso exigiu 14 bombas lançadas com precisão por bombardeiros B-2 americanos. E também foram incapazes de lidar com a ameaça à nossa segurança representada por um ditador narcoterrorista na Venezuela. Em vez disso, foi necessária a intervenção das Forças Especiais americanas para levar esse fugitivo à justiça.  

Em um mundo ideal, todos esses problemas e muitos outros seriam resolvidos por diplomatas e resoluções redigidas em termos firmes. Mas não vivemos em um mundo perfeito e não podemos continuar permitindo que aqueles que ameaçam aberta e descaradamente nossos cidadãos e colocam em risco nossa estabilidade global se escondam atrás de abstrações do Direito Internacional que eles próprios violam rotineiramente. 

Este é o caminho que o presidente Trump e os Estados Unidos trilharam. É o caminho que pedimos que vocês, aqui na Europa, se juntem a nós para percorrer. É um caminho que já percorremos juntos e que esperamos percorrer juntos novamente. Durante cinco séculos, antes do fim da Segunda Guerra Mundial, o Ocidente esteve em expansão – seus missionários, seus peregrinos, seus soldados, seus exploradores partindo de suas costas para cruzar oceanos, colonizar novos continentes, construir vastos impérios que se estendiam por todo o globo.  

Mas em 1945, pela primeira vez desde a época de Colombo, a Europa estava em retração. A Europa estava em ruínas. Metade dela vivia atrás de uma Cortina de Ferro e o resto parecia destinado a seguir o mesmo caminho. Os grandes impérios ocidentais haviam entrado em declínio terminal, acelerado por revoluções comunistas ateias e por levantes anticoloniais que transformariam o mundo e estampariam a foice e o martelo vermelhos em vastas extensões do mapa nos anos seguintes.  

Diante desse cenário, então como agora, muitos passaram a acreditar que a era de domínio do Ocidente havia chegado ao fim e que nosso futuro estava fadado a ser um eco fraco e pálido do nosso passado. Mas juntos, nossos predecessores reconheceram que o declínio era uma escolha, e uma escolha que se recusaram a fazer. Foi isso que fizemos juntos uma vez antes, e é isso que o presidente Trump e os Estados Unidos querem fazer novamente agora, junto com vocês. 

E é por isso que não queremos que nossos aliados sejam fracos, pois isso nos torna mais fracos. Queremos aliados que possam se defender, para que nenhum adversário jamais se sinta tentado a testar nossa força coletiva. É por isso que não queremos que nossos aliados estejam acorrentados pela culpa e pela vergonha. Queremos aliados que se orgulhem de sua cultura e de sua herança, que compreendam que somos herdeiros da mesma grande e nobre civilização e que, juntamente conosco, estejam dispostos e sejam capazes de defendê-la. 

E é por isso que não queremos que nossos aliados racionalizem o status quo fracassado em vez de enfrentar o que é necessário para corrigi-lo, pois nós, nos Estados Unidos, não temos interesse em sermos guardiões educados e ordeiros do declínio administrado do Ocidente. Não buscamos a separação, mas sim revitalizar uma antiga amizade e renovar a maior civilização da história da humanidade. O que queremos é uma aliança revigorada que reconheça que o que aflige nossas sociedades não é apenas um conjunto de políticas equivocadas, mas um mal-estar de desesperança e complacência. Uma aliança – a aliança que desejamos é aquela que não fica paralisada pelo medo – medo das mudanças climáticas, medo da guerra, medo da tecnologia. Em vez disso, queremos uma aliança que avance audaciosamente rumo ao futuro. E o único medo que temos é o medo da vergonha de não deixarmos nossas nações mais orgulhosas, mais fortes e mais ricas para nossos filhos. 

Uma aliança pronta para defender nosso povo, salvaguardar nossos interesses e preservar a liberdade de ação que nos permite moldar nosso próprio destino – não uma aliança que exista para operar um estado de bem-estar social global e expiar os supostos pecados das gerações passadas. Uma aliança que não permita que seu poder seja terceirizado, restringido ou subordinado a sistemas fora de seu controle; uma aliança que não dependa de outros para as necessidades essenciais de sua vida nacional; e uma aliança que não mantenha a pretensão polida de que nosso modo de vida é apenas mais um entre muitos e que peça permissão antes de agir. E, acima de tudo, uma aliança baseada no reconhecimento de que nós, o Ocidente, herdamos juntos – aquilo que herdamos juntos é algo único, distinto e insubstituível, pois essa é, afinal, a própria base do vínculo transatlântico. 

Agindo juntos dessa forma, não apenas ajudaremos a recuperar uma política externa sensata. Isso nos devolverá uma compreensão mais clara de quem somos. Restituirá a nós um lugar no mundo e, ao fazê-lo, repreenderá e dissuadirá as forças de apagamento civilizacional que hoje ameaçam tanto a América quanto a Europa.  

Então, em tempos de manchetes anunciando o fim da era transatlântica, que fique claro para todos que esse não é nosso objetivo nem nosso desejo – porque, para nós, americanos, nosso lar pode estar no Continente Americano, mas sempre seremos filhos da Europa. (Aplausos.) 

Nossa história começou com um explorador italiano cuja aventura rumo ao grande desconhecido, em busca de um novo mundo, levou o cristianismo para as Américas – e se tornou a lenda que definiu o imaginário de nossa nação pioneira. 

Nossas primeiras colônias foram construídas por colonos ingleses, aos quais devemos não apenas o idioma que falamos, mas também todo o nosso sistema político e jurídico. Nossas fronteiras foram moldadas pelos escoceses-irlandeses – aquele clã orgulhoso e aguerrido das colinas do Ulster que nos deu Davy Crockett, Mark Twain, Teddy Roosevelt e Neil Armonstrong. 

Nossa grande região central do Meio-Oeste foi construída por agricultores e artesãos alemães que transformaram planícies vazias em uma potência agrícola global – e, aliás, melhoraram drasticamente a qualidade da cerveja americana. (Risos.) 

Nossa expansão para o interior seguiu os passos de comerciantes de peles e exploradores franceses, cujos nomes, aliás, ainda adornam placas de rua e nomes de cidades por todo o Vale do Mississippi. Nossos cavalos, nossos ranchos, nossos rodeios – todo o romantismo do arquétipo do caubói que se tornou sinônimo do Oeste americano – tudo isso nasceu na Espanha. E nossa maior e mais icônica cidade se chamava Nova Amsterdã antes de se chamar Nova York. 

E vocês sabiam que, no ano em que meu país foi fundado, Lorenzo e Catalina Geroldi viviam em Casale Monferrato, no Reino do Piemonte-Sardenha? E José e Manuela Reina viviam em Sevilha, na Espanha? Não sei o que, se é que sabiam algo, eles sabiam sobre as 13 colônias que haviam conquistado sua independência do Império Britânico, mas eis de uma coisa tenho certeza: jamais poderiam imaginar que, 250 anos depois, um de seus descendentes diretos estaria de volta aqui, neste continente, como o principal diplomata daquela jovem nação. E, no entanto, aqui estou eu, lembrado pela minha própria história de que tanto nossas histórias quanto nossos destinos sempre estarão interligados. 

Juntos, reconstruímos um continente devastado após duas guerras mundiais catastróficas. Quando nos vimos novamente divididos pela Cortina de Ferro, o Ocidente livre uniu forças com os corajosos dissidentes que lutavam contra a tirania no Leste para derrotar o comunismo soviético. Lutamos uns contra os outros, depois nos reconciliamos, depois lutamos, e depois nos reconciliamos novamente. E sangramos e morremos lado a lado em campos de batalha de Kapyong a Kandahar. 

E estou aqui hoje para deixar claro que os Estados Unidos estão traçando o caminho para um novo século de prosperidade e que, mais uma vez, queremos fazer isso junto com vocês, nossos estimados aliados e nossos amigos de longa data. (Aplausos.) 

Queremos fazer isso juntos com vocês, com uma Europa orgulhosa de sua herança e de sua história; com uma Europa que tenha o espírito criador da liberdade que enviou navios a mares desconhecidos e deu origem à nossa civilização; com uma Europa que tenha os meios para se defender e a vontade de sobreviver. Devemos nos orgulhar do que conquistamos juntos no século passado, mas agora precisamos enfrentar e abraçar as oportunidades de um novo século – porque o ontem já passou, o futuro é inevitável e nosso destino juntos nos aguarda. Obrigado. (Aplausos.) 

PERGUNTA: Sr. secretário, não tenho certeza se o senhor ouviu o suspiro de alívio que ecoou por este salão quando acabamos de ouvir o que interpreto como uma mensagem de tranquilização, de parceria. O senhor falou sobre as relações entrelaçadas entre os Estados Unidos e a Europa – isso me lembra declarações feitas décadas atrás por seus predecessores, quando a discussão era: os Estados Unidos são realmente uma potência europeia? Os Estados Unidos são uma potência na Europa? Agradeço por transmitir essa mensagem de tranquilização sobre nossa parceria.    

Na verdade, esta não é a primeira vez que Marco Rubio está aqui na Conferência de Segurança de Munique – ele já esteve aqui algumas vezes, mas é a primeira vez que ele vem como palestrante na qualidade de secretário de Estado. Então, obrigado novamente. Temos apenas alguns minutos agora para algumas perguntas e, se me permitem, coletamos algumas perguntas da plateia.  

Uma das questões-chave aqui ontem, e hoje, é, claro – e continua sendo – como lidar com a guerra na Ucrânia. Muitos de nós, nas discussões ao longo do último dia, das últimas 24 horas, expressamos a impressão de que os russos – para usar uma expressão coloquial – estão ganhando tempo, não estão realmente interessados em uma solução significativa. Não há indicação de que estejam dispostos a ceder em nenhum de seus objetivos maximalistas. Se possível, gostaria que nos apresentasse sua avaliação de onde estamos e para onde o senhor acredita que podemos ir. 

SECRETÁRIO RUBIO: Bem, acho que onde estamos neste momento é que as questões em jogo que precisam ser enfrentadas foram delimitadas. Essa é a boa notícia. A má notícia é que elas foram reduzidas às questões mais difíceis de responder, e ainda há trabalho a ser feito nesse sentido. Entendo seu ponto de vista – a resposta é que não sabemos. Não sabemos se os russos estão falando sério sobre acabar com a guerra; eles dizem que sim – e sob quais termos estariam dispostos a fazê-lo, e se podemos encontrar termos aceitáveis para a Ucrânia que a Rússia sempre aceitará. Mas vamos continuar testando isso. 

Enquanto isso, tudo o mais continua acontecendo. Os Estados Unidos impuseram sanções adicionais ao petróleo russo. Em nossas conversas com a Índia, obtivemos o compromisso deles de interromper compras adicionais de petróleo russo. A Europa tomou suas medidas para seguir em frente. O Programa Pearl continua, por meio do qual armamentos americanos estão sendo vendidos para o esforço de guerra ucraniano. Portanto, tudo isso continua. Nada foi interrompido nesse ínterim. Logo, não há como ganhar tempo nesse sentido. 

O que não podemos responder – mas continuaremos a testar – é se há um desfecho com o qual a Ucrânia possa conviver e que a Rússia aceite. E eu diria que tem sido elusivo até o momento. Fizemos progresso no sentido de que, pela primeira vez, acredito que em anos, pelo menos no nível técnico, houve autoridades militares de ambos os lados que se reuniram na semana passada, e haverá novas reuniões na terça-feira, embora talvez não com o mesmo grupo de pessoas. 

Vejam, vamos continuar fazendo tudo o que pudermos para desempenhar esse papel de pôr fim a esta guerra. Não creio que alguém nesta sala seja contra uma solução negociada para esta guerra, desde que as condições sejam justas e sustentáveis. E é isso que pretendemos alcançar, e vamos continuar tentando alcançar, mesmo enquanto todas essas outras medidas continuem acontecendo na frente das sanções e assim por diante. 

PERGUNTA: Muito obrigado. Tenho certeza de que, se tivéssemos mais tempo, haveria muitas perguntas sobre a Ucrânia. Mas me permitam-me concluir com uma pergunta sobre algo completamente diferente. O próximo orador, daqui a alguns minutos, será o ministro das Relações Exteriores da China. Quando o senhor era senador, era considerado um crítico ferrenho da China. 

SECRETÁRIO RUBIO: Eles também. 

PERGUNTA: E foi mesmo? 

SECRETÁRIO RUBIO: Sim. 

PERGUNTA: Sabemos que haverá, daqui a cerca de dois meses, uma reunião de cúpula entre o presidente Trump e o presidente Xi Jinping. Quais são as suas expectativas? O senhor está otimista? Pode haver um, entre aspas, "acordo" com a China? O que o senhor espera? 

SECRETÁRIO RUBIO: Bem, eu diria o seguinte. As duas maiores economias do mundo, duas das grandes potências do planeta, temos a obrigação de nos comunicar e dialogar, assim como muitos de vocês fazem bilateralmente. Quero dizer, seria um erro geopolítico grave não manter conversas com a China. Eu diria o seguinte: como somos dois grandes países com enormes interesses globais, nossos interesses nacionais muitas vezes não estarão alinhados. Os interesses nacionais deles e os nossos não estarão alinhados, e devemos ao mundo tentar administrar isso da melhor maneira possível, obviamente evitando conflitos, tanto econômicos quanto piores. E isso – portanto, é importante para nós mantermos comunicação com eles nesse sentido. 

 Nas áreas em que nossos interesses estejam alinhados, acredito que podemos trabalhar juntos para gerar um impacto positivo no mundo, e buscamos oportunidades para isso com eles. Portanto, precisamos manter uma relação com a China. E qualquer um dos países aqui representados hoje terá de manter uma relação com a China, sempre entendendo que nada do que acordarmos pode ocorrer às custas de nosso interesse nacional. E, francamente, esperamos que a China aja em seu interesse nacional, assim como esperamos que todos os Estados-nações ajam em seu interesse nacional. E o objetivo da diplomacia é tentar navegar os momentos em que nossos interesses nacionais entram em conflito, sempre buscando fazê-lo de maneira pacífica. 

Penso que também temos uma obrigação especial, porque tudo o que acontece entre os EUA e a China em matéria de comércio tem implicações globais. Portanto, existem desafios de longo prazo que enfrentamos e que teremos de enfrentar e que serão fontes de tensão em nossa relação com a China. Isso não se aplica apenas aos Estados Unidos; aplica-se a todo o Ocidente. Mas acredito que precisamos tentar administrar isso da melhor forma possível a fim de evitar atritos desnecessários, se possível. Ninguém, no entanto, está sob ilusões. Existem alguns desafios fundamentais entre nossos países e entre o Ocidente e a China que persistirão em um futuro previsível por uma série de razões, e são algumas das questões em que esperamos trabalhar em conjunto com vocês.  

PERGUNTA: Muito obrigado, Sr. secretário. Nosso tempo se esgotou. Lamento não poder atender a todos que desejavam fazer perguntas. Sr. secretário de Estado, agradeço por esta mensagem tranquilizadora. Creio que ela foi muito bem recebida aqui no salão. Vamos oferecer uma salva de palmas. (Aplausos.) 


Veja o conteúdo original: https://www.state.gov/releases/2026/02/secretary-of-state-marco-rubio-at-the-munich-security-conference/  

Esta tradução é fornecida como cortesia e apenas o texto original em inglês deve ser considerado oficial. 


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